quarta-feira, 27 de junho de 2007

Calvaire

Calvaire (The Ordeal) - Fabrice Du Welz, BEL/FRA/LUX, 2004

Calveire é o típico filme que pode ser resumido como um verdadeiro petardo. É estranho, mas totalmente possível, como o ser humano se transforma quando descobre que não tem controle sobre a vida, sobre os fatos, sobre tudo. Quando ocorre essa descoberta, dois caminhos se abrem à sua frente: ou você fica apático e aceita o inevitável, ou faz uma verdadeira viagem ao underground de sua essência e liberta a besta que todos nós guardamos bem escondida dentro de nós. Tal qual aquilo que Olavo Bilac descreveu em um de seus poemas (que não me lembro o nome agora) que dentro de nosso peito há sempre um demônio que ri e um deus que chora, assim é a alma humana e a essência desse filme.
Vamos ao filme. Músico que está prestes a fazer uma apresentação de Natal, tem seu furgão velho avariado e é forçado a parar em um vilarejo qualquer no interior da Bélgica. Hospedado por um velhinho simpático de nome Bartel, acaba conhecendo os horrores da alma humana ao ser declarado pelo seu anfitrião como sendo a sua mulher Glória que há tempos foi embora. A partir daí, o músico será tratado como se fosse a tal Glória não só pelo velhinho que o acolheu, mas também por todo vilarejo insano até o talo.
Não tente entender o porquê das coisas acontecerem como acontecem no filme. Não tente entender o comportamento das personagens. Pense assim, são todos humanos, mais que isso, somos todos humanos, e a única certeza existente é a estranheza que se instala em nós quando somos acuados de alguma forma. Nessas horas (nas horas de perda, de dor, de dilaceração da alma) somos todos loucos ou apáticos, depende do caminho que traçamos e a reação que demonstramos diante do incontrolável. Para quem puder ou conseguir uma cópia, Calvaire será uma experiência única.
Este é um filme que passou em uma das sessões do Cine Comodoro e foi indicado pelo amigo blogueiro Daniel Salomão. E, apesar de ser de 2004, não é encontrado no Brasil, ainda. Só pude assisti-lo porque o amigo blogueiro Ricardo me cedeu o filme. Assim, Ricardo, muito grata pela experiência.


4 comentários:

Heraclito disse...

Não conhecia este filme. Parece ser muito interessante (e intrigante!). Vou ficar de olho.

jamagonça disse...

É muito bom mesmo. Foi indicação do Daniel Salomão. Se quiser, tenho ele, pois o Ricardo do Bakemon me arranjou.
Grande abraço.

Bakemon disse...

De nada, Jamille! Fico feliz que tenha se divertido!

jamagonça disse...

É isso aí, Ricardo, espero que possamos fazer mais trocas.
Grande abraço.