quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Crítica feita pela Ana Maria Bahiana no seu blog sobre cinema (http://anamariabahiana.blog.uol.com.br/) sobre o novo filme "Bright Star", concorrente em Cannes´09, da adoradíssima Jane Campion:
"Em outro século que não as décadas românticas do início do 19, ela seria uma designer dessas que dá ataque e faz beicinho e ele, provavelmente, um rockstar emo/shoegazer".
Adorei a definição sobre o mocinho do filme. O grifo em rockstar emo/shoegazer é meu, mas vamos esclarecer uma coisa Ana Maria Bahiana: emo é BEM diferente de shoegazer!!!!!!! Não assisti ao filme ainda, mas acredito que, pelo que ela descreve em sua crítica, a melhor definição seria "rockstar shoegazer", tiremos o emo, e deixemos a história um pouco mais interessante, não? Afinal, apesar de shoegazer não combinar muito com a figura de um rockstar, por conta da sua postura no palco (e pelo menos não aquela cantada pelo Liam Gallagher em "Rock´n Roll Star), um shoegazer É um rockstar por excelência, mesmo sem querer! Coisa que os emos tentam, tentam e, obviamente, não conseguem, porque não passam de meninos "bicudinhos" chorando por, argh!!! amor!
Enfim, delirei neste post só para dizer que quero muito assistir a esse filme da Jane Campion e, sim, eu adoro os shoegazers, começando por My Bloody Valentine, passando por Cocteau Twins, Jesus and Mary Chain e, claro, The Smashing Pumpkins que eu juro que é shoegazer, apesar da postura diferenciada.
Quanto ao filme, como ainda não o assisti, não falarei nada sobre ele. Deem uma passada no blog da Ana Maria Bahiana que ela já assistiu e já emitiu seu parecer.

Discão esse "Swoon", novo trabalho do Silversun Pickups, lançado este ano. Só agora pude ouvi-lo com a devida acuidade. Bem, antes tarde do que nunca! É a mesma ambiência e uma vibe muito parecida com o disco de estréia "Carnavas" de 2006 desta que para mim é uma das melhores bandas atualmente. "Os caras" (lembrando que tem uma menina na formação) são de Los Angeles e têm uma sonoridade levemente parecida com The Smashing Pumpkins nos melhores momentos de Billy Corgan.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Dogville Confessions - Sami Saif, DIN, 2003.


Documentário bacana sobre os bastidores do filme Dogville do Diretor Lars Von Trier. Mostra toda a dificuldade em fazer Dogville e todas as implicações resultantes desse trabalho polêmico e autoral, feito por um diretor considerado (por ele mesmo) como um gênio (e o melhor do mundo) e composto por atores em ponto de ebulição. O mais interessante é que justamente a grande estrela do filme, Nicole Kidman, foi a que menos deu trabalho ao diretor, apesar de seu papel bastante pesado. E no documentário podemos assisitir a um Paul Bettany bastante estressado e arrogante. É um filme para quem aprecia Lars Von Trier. Tanto o Documentário quanto Dogville. Vale uma conferida, assim mesmo.

Hoje é Dia Mundial do "Toca RAUUULLLLL" para delírio geral da tribo mais chata deste universo, os raulzetes-que-acreditam-que-raul-é-a-coisa-mais-legal-do-mundo.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009


Buda as sharm foru rikht (E Buda desabou de vergonha) - Hana Makhmalbaf, IRÃ, 2007.

É um filme que espelha a diferença surreal que hoje separa o ocidente do oriente. Trata-se de uma pequena fábula sobre uma menininha afegã que inicia uma jornada (literal e fisicamente) em direção à uma escola só para meninas, do outro lado do rio. No caminho ela se depara com a intolerância (humana e sobretudo masculina comuns a tais sociedades) e com os desígnios de um povo fundamentalista baseado em dogmas desumanos inseridos como cancros bem no ventre
da sociedade médio-oriental e que alimenta o ódio pelo nada que por ventura nem conhecem. É um pequeno-grande filme que conta uma história inserida na história atual do Afeganistão. Não que sejamos a favor do imperialismo norte-americano e da massificação ocidental e simplesmente críticos cegos desta sociedade médio-oriental. Muito longe disso. Mas aceitar sociedades injustas movidas pelo ódio puro e simplesmente, desprovidas de qualquer humanidade, é algo inconcebível até. Aqui, então, os Estados Unidos (e sua hipocrisia niveladora de idéias) até poderiam ser os mocinhos.

Consumo em Massa








Olha só as camisetinhas bacanérrimas que eu comprei hoje. VALEU PORCARIA DE SALÁRIO, pelo menos deu para comprar essa belezuras aí!!!!!!!!!!!!!!! Adoro!!!!!!!!!!!!!
links para as camisetas:

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Mantra...

LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MUPRHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY LEI DE MURPHY...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

HELP!!!!!!! Meu Yahoo Mail não está funcionando hoje. Estou absolutamente sem qualquer acesso às minhas mensagens. O site manda entrar em contato com o atendimento ao usuário e informar o código 2, mas cadê que isso é possível. Como se já não bastasse a Gripe H1N1, agora meu e-mail ficou psicótico. Estou com medo, muito medo que isso possa ser o fim dos tempos...

R.I.P

John Hughes, Jr.
18/02/1959 - 06/08/2009


Ontem, infelizmente morreu o cara da foto aí de cima. Ele foi Diretor, Escritor, Roteirista, Produtor... E entre outras coisa, foi o inventor e pai de Ferris Bueller o garoto mais legal e hypado dos anos 80!!! "Curtindo a Vida Adoidado" (Ferris Bueller´s Day Off) foi para nós crianças e adolescentes dos anos 80 a coisa mais bacana e divertida das nossa tardes monótonas! Quem nunca sonhou em ser Ferris Bueller????? Mas John Hughes fez também outras coisas legais, sempre mexendo com o imaginário adolescente: "Clube dos Cinco", "Mulher Nota Mil", "A Garota Rosa Shocking", enfim, o cara foi craque nos chamados "coming of age" que hoje estão sendo reinventados por Judd Apatow e sua guangue, mas que para nós os pós-teens-quase-adultos na casa dos trinta já não têm tanta graça como outrora.


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Gente, sabe aqueles ditados bonitinhos de auto-ajuda da época da vovó? "Dias melhores virão", "O mundo dá voltas", "Nada melhor do que um dia após o outro", "Há males que vêm para o bem", etc, etc, etc... Então, pura balela, besteira mesmo. A coisa toda resume-se à LEI DE MURPHY. Bicho, é incrível, mas se houver a mínima chance de algo dar errado, ele vai definitivamente dar errado. Aliás, se Não houver a mínima chance de algo dar errado, mesmo assim, ele VAI dar errado. E depois que o troço todo desandou, esqueçe, FORGET IT, não adianta, as coisas não irão melhorar de jeito nenhum. Desandou, desandou! Porque depois da tempestade NÃO VEM a bonança. Meu, minha vida está assim, tudo dando errado. Placas e mais placas do céu caindo e sem previsão de melhora de tempo. Então, para ajudar, dá-lhe enxaqueca e uma incrível-quase-crise-nervosa-estratosférica. É, porque problemas desacompanhados de uma crise nervosa básica não são problemas, né? E, sim, eu sou daquelas que nos momentos mais tensos acaba tendo que visitar um hospital qualquer para tomar umas balinhas tranquilizantes e tals...
Bom, enfim...Esse desabafo eu devia ter escrito na semana passada, quando o dilúvio começou, mas estava muito explosiva para tanto. Só hoje consegui articular alguma coisa. Não, as coisas não melhoraram, ainda. Não, não estou mais calma. Já disse, estou à beira de uma crise nervosa. Mas George Romero baixou em mim e estou tentando me controlar me comportando como um zumbi: só ouço o que quero, nada de movimentos bruscos, olhar fixo em uma direção porque já tem coisa demais na minha cabeça e prestar atenção em mais coisas só vai piorar meu declínio rumo a um ataque... Liguei também o FODA-SE, para ver se dá algum resultado. E, sim, recolhi-me à minha insignificância e agarrei-me ao meu silêncio porque, no momento, é a única coisa que consigo fazer para demonstrar minha irresignação com as injustiças que estão me acontecendo.
Parei.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Sabe esse livro bacanão logo acima, que enumera os 1001 discos para as pessoas ouvirem antes de morrer? Pois é, um blog, o nobrasil, disponibilizou links para download de todos os albuns citados. A dica é da Luana B., membro do melhor forum do mundo, o MakingOff.
Pega lá os discos antes que os censores acabem com o barato.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Desaparecida, sim. Desintegrada, NÃO!!!!!!!!!!!!

domingo, 26 de julho de 2009

Meu silêncio e meu recolhimento à minha insignificância refletem minha irresignação.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Container de lixo estrangeiro entregue no Porto de Santos?????
Somos de fato o quintal do mundo.
Como se não bastasse todo o descaso do mundo ocidental e seu capitalismo devastador que reveste os países periféricos de marionetes estupradas pela sua lógica-ilógica, agora somos o lixão dos países ricos.
É verdadeiramente "Leônia" depositando os seus dejetos indestrutíveis bem longe de seus olhos, expelindo, descartando, limpando-se de uma impureza recorrente. Somos o depósito, o descarte para o "refugo humano".
Vou bater o record de imbecilidade hoje: estudando muito e acreditando com bastante entusiasmo que sonhos são possibilidades.
Já repararam que no Brasil pregamos uma coisa e praticamos outra?
E essa incoerência ocorre inclusive e especialmente com as instituições.
Nojo!
Sempre me questiono se o papel da arte é entreter ou informar. Em alguns casos essa resposta é importante para mim.
Lendo "Os sonhos não envelhecem - Histórias do Clube da Esquina" de Márcio Borges.
Porque ninguém é de ferro, né?
Tem alguém aí??????

quarta-feira, 15 de julho de 2009

É incrível como em algumas situações nos redescobrimos e nos deparamos, involuntariamente, com aquela pessoa que um dia fomos. Acho que porque essa pessoa, apesar dos anos, das mudanças, das feridas e cicatrizes, ainda está lá, no fundinho, dentro de nós, escondida, esperando o momento triunfal da volta. Por que, então, encobrimos essa pessoa, escondemos o que realmente fomos e, curiosamente, podemos ainda ser? Penso que se deixarmos para trás nossa casca adquirida com os anos e definitivamente optarmos por nos desfazer do medo, insatisfação, máscara, invólucro... poderemos, então, trazer à tona tudo o que um dia fomos, tudo o que um dia vivemos sem cobranças e preocupações.
Ontem encontrei duas amigas que há muito tempo não via. Depois de cinco minutos de conversa, ambas chegaram a conclusão de que eu continuo exatamente a MESMA maluca, sem-noção e patética existencialista de 16 anos atrás. Ou seja, apesar de todas as cicatrizes que adquiri (e, acreditem, não foram poucas) depois de todo esse tempo eu continuo a mesma adolescente de 16 anos de idade.
E olha, ultimamente, com todo o meu mau humor, falta de tolerância etc, etc, etc, eu já achava que tinha perdido, há muito, essa essência engraçada que eu costumava ter...Porque apesar das tragédias e problemas, as coisas acabavam sempre em risos e histórias para contar. Com 16 anos eu tive minha primeira depressão. Hoje eu sei que foi uma depressão, porque anos mais tarde acabei descobrindo que era disso que eu sofria e, portanto, trato até hoje. Mas na época, foi tão surreal tudo o que aconteceu comigo, que ninguém, absolutamente ninguém levou a sério meu problema. E olha que eu fiquei muito mal. Não conseguia ir para a escola e meus amigos, ao invés de se preocuparem comigo (porque eu estava muito mal), simplesmente vinham me buscar em casa sob uma desafinada serenata regada a Legião Urbana e afins. Era tudo muito engraçado, muito bacana. Afinal, somente eu sofria. Mas era assim que enfrentávamos as coisas.
E ontem eu descobri que apesar de todas a minhas mudanças, algumas pessoas ainda conseguem ver em mim aquela menina engraçada e absolutamente nonsense que divertia todo mundo com suas nerdisses e esquisitices.
Desculpem o desabafo, mas fiquei feliz com a percepção de minhas velhas amigas.
Atrás de todo óculos existe uma pessoa legal! Ou não...
Olha só, eu sei que quase ninguém vem aqui. Mas mesmo assim utilizarei este espaço para pedir sugestões de livros e filmes engraçados que VALHAM A PENA. Estou precisando disso, sabem?
Então os honrosos loucos que passarem por aqui e quiserem deixar uma sugestãozinha, está valendo minha eterna gratidão.
O dia está tão merda que estou trabalhando e escutando Adriana Calcanhoto! Cariocas, Vambora, Esquadros, Clandestino, (...)
Daqui há pouco vou me rebelar contra os sentimentos de hoje e "pôr na vitrola" Led Zeppelin IV também chamado de Four Symbols.
Para melhorar as coisas hoje só Robert Plant gritando nos meus ouvidos.

Céu de brigadeiro...

E mais alguns aviões caíram por aí. Um aqui, um ali, enfim... Boing, Airbus, Embraer, está tudo caindo, gente.
Mas, como dizia o poetinha Vinicius de Moraes, o que esperar de algo "mais pesado do que o ar, movido por um motor à explosão e inventado por um brasileiro"????????
Cortejo a desesperança e a inutilidade!!!!!
O dia de hoje está uma merda!!!!

terça-feira, 14 de julho de 2009

Pouquíssimas pessoas vêm aqui, ou se dão ao trabalho de virem até aqui. Estranho, então a normalidade é escrevermos para as paredes? Para nós próprios? Para nossos demônios e fantasmas?'É, é isso sim. Mas os poucos que vêm até aqui são muito bem vindos, e são especiais, e são importantes, porque, meus caros, a "entrada aqui é só para loucos" e, digo mais, só para poucos, para aqueles que têm duas naturezas, ou muitas naturezas, ou uma natureza de homem e uma de lobo, inconstantes, incontentes:
"... Deve haver muitos homens que tenham em si muito de cão ou de raposa, de peixe ou de serpente sem que com isso experimentem maiores dificuldades. Em tais casos, o homem e o peixe ou o homem e a raposa convivem normalmente e nenhum causa ao outro qualquer dano; ao contrário, um ajuda ao outro, e muito homem há que levou essa condição a tais extremos a ponto de dever sua felicidade mais à raposa ou ao macaco que nele havia, do que ao próprio homem. Tais fatos são bastante conhecidos. No caso de Harry, entretanto, o caso diferia: nele o homem e o lobo não caminhavam juntos, mas apenas permaneciam em contínua e mortal inimizade e um vivia apenas para causar dano ao outro, e quando há dois inimigos mortais num mesmo sangue e na mesma alma, então a vida é uma desgraça. Bem, cada qual tem seu fado, e nenhum deles é leve.
Com nosso Lobo da Estepe sucedia que, em sua consciência, vivia ora como lobo, ora como homem, como acontece aliás com todos os seres mistos. ocorre, entretanto, que quando vivia como lobo, o homem nele permanecia como espectador, sempre à espera de interferir e condenar, e quando vivia como homem, o lobo procedia de maneira semelhante. Por exemplo, se Harry, como homem, tivesse um pensamento belo, experimentasse uma sensação nobre e delicada, ou praticasse uma das chamadas boas ações, então o lobo, em seu interior, arreganhava os dentes e ria e mostrava-lhe com amarga ironia o quão ridícula era aquela nobre encenação aos seus olhos de fera, aos olhos de um lobo que sabia muito bem em seu coração o que lhe convinha, ou seja, caminhar sozinho nas estepes, beber sangue vez por outra ou perseguir alguma loba. Toda ação humana parecia, pois, aos olhos do lobo horrivelmente absurda e despropositada, estúpida e vã. Mas sucedia exatamente o mesmo quando Harry sentia e se comportava como lobo, quando arreganhava os dentes aos outros, quando sentia ódio e inimizade a todos os seres humanos e a seus mentirosos e degenerados hábitos e costumes. Precisamente aí era qua a parte humana existente nele se punha a espreitar o lobo, chamava-o de besta e de fera e o lançava a perder, amargurando-lhe toda a satisfação de sua saudável e simples natureza lupina..."

"O Lobo da Estepe" - Hermann Hesse

segunda-feira, 13 de julho de 2009

"Se lhes perguntassem, os habitantes de Leônia - outra das cidades invisíveis de Ítalo Calvino - diriam que sua paixão é "desfrutar coisas novas e diferentes". De fato. A cada manhã eles "vestem roupas novas em folha, tiram latas fechadas do mais recente modelo de geladeira, ouvindo jingles recém lançados na estação de rádio mais quente do momento". Mas a cada manhã "as sobras da Leônia de ontem aguardam pelo caminhão de lixo", e um estranho como Marco Pólo olhando, por assim dizer, pelas frestas das paredes da história de Leônia, ficaria imaginando se a verdadeira paixão dos leonianos na verdade não seria "o prazer de expelir, descartar, limpar-se de uma impureza recorrente". Caso contrário, por que os varredores de rua seriam "recebidos como anjos", mesmo que sua missão fosse "cercada de um silêncio respeitoso" (o que é compreensível - "ninguém quer voltar a pensar em coisas que já foram rejeitadas")? Como os leonianos se superam na sua busca por novidades, "uma fortaleza de dejetos indestrutíveis cerca a cidade", "dominando-a de todos os lados, como uma cadeia de montanhas".
Poderíamos perguntar: será qeu os leonianos enxergam essas montanhas? Às vezes sim, em particular quando uma rara golfada de vento leva a seus lares novos em folha um odor que lembra um monte de lixo, e não os produtos plenamente frescos, reluzentes e perfumados expostos nas lojas de novidades. Quando isso acontece, é difícil para eles desviar os olhos - teriam de olhar, cheios de preocupação, medo e tremor, para as montanhas, e sse horrorizar com essa visão. Eles abominariam a feiúra delas e as detestariam por macularem a paisagem - por serem fétidas, insossas, ofensivas e revoltantes, por abrigarem perigos conhecidos e outros, diferentes de tudo que conheceram antes, por serem dépósitos de obstáculos visíveis e de outros nem mesmo imagináveis. Não gostariam dessa visão e prefeririam não continuar olhando por muito tempo. Odiariam os dejetos de seus devaneios de ontem tão apaixonadamente quanto amaram as roupas da moda e o brinquedos de último tipo. Gostariam que as montanhas se desvanecessem, sumissem - dinamitadas, esmagadas, pulverizadas ou dissolvidas. Iriam queixar-se da preguiça dos varredores de rua, da doçura dos capatazes e da complacência dos chefes.
Mais ainda que os próprios dejetos, os leonianos odiariam a idéia de sua indestrutibilidade. Ficariam horrorizados com a notícia de que as montanhas de que desejam tão avidamente de desvencilhar mostram-se relutantes em se degradar, deteriorar e decompor por si mesmas, assim como resistem e são também imunes aos solventes. Desesperados, não aceitariam a simples verdade de que os odiosos montes de lixo só poderiam não existir se, antes de mais nada, não tivessem sido feitos (por eles mesmos, os leonianos!). Eles se recusariam a aceitar que (como diz a mensagem de Marco Pólo, que os leonianos não ouviram), "à medida que a cidade se renova a cada dia, ela preserva totalmente a si mesma na sua única forma definitiva: o lixo de ontem empilhado sobre o lixo de anteontem e de todos o dias e anos e décadas". Os leonianos não ouviriam a mensagem de Marco Pólo porque o que ela lhes diria (quer dizer, se quisessem ouvir) é que, em vez de preservarem o que afirmam amar e desejar, só conseguem tornar permanente o lixo. Só o inútil, o desorientador, repelente, venenoso e temível é resitente o bastante para permanecer ali enquanto o tempo passa".
"Vidas Desperdiçadas" Zygmunt Bauman.

sábado, 11 de julho de 2009

Pergunta: por que pessoas normais, saudáveis, legais e bacanas ficam em seus blogs sábado à noite?
a) porque não têm dinheiro para sair e, convenhamos, a vida em sociedade é cara;
b)porque pessoas normais, saudáveis, legais e bacanas ACHAM que são pessoas normais, saudáveis, legais e bacanas, mas NÃO são pessoas normais, saudáveis, legais e bacanas, na verdade;
c) porque a vida em um blog é mais normal, saudável, legal e bacana do que a vida em sociedade não cibernética;
d) porque, no final das contas, a vida cibernética substitui REALMENTE a vida entre os humanos e são, para nós, hoje, o que nossos amiguinhos imaginários foram em nossa infância.