Sunshine (Alerta Solar) - Danny Boyle, Reino Unido, 2007.Eu estava com um pé atrás em relação a este último filme do Danny Boyle. Embora tenha sido bem comentado e tal, dá um medo danado esse tipo de história sobre ficção científica. Aliás, o tema já foi filmado inúmeras vezes e, muitas delas, pessimamente, por diretores talentosos. Daí meu temor.
Mas Danny Boyle não é um diretor que se contenta com pouco. Seus filmes, carregados de influências pops, são sempre bons. Porém, após os ótimos "Cova Rasa" e " Trainspotting", Danny fez o caminho que a maioria dos estrangeiros talentosos faz: tentar a vida em Hollywood. E assim como a maioria, Boyle também se deixou levar melo medianismo norte-americano e perdeu a mão dirigindo filmes fáceis e pouco interessantes. Por sorte, descobriu em tempo que seu lugar é na Europa mesmo e voltou aos bons trabalhos com "Extermínio" e, logo em seguida, com "Caiu do Céu".
Este Sunshine, de cara, já se mostra uma produção diferente. Boyle reuniu em seu elenco o ótimo e cotadíssimo irlandês Cillian Murphy, com quem já havia trabalhado em "Exermínio" e que hoje se mostra como um dos melhores atores de sua geração, mais outras figuras nem tão conhecidas assim, mas competentíssimas. Trouxe, assim, para seu filme os quase desconhecidos Cliff Curtis do neo-zelandês "Encantadora de Baleias", Hiroyuki Sanada do cruisiano "O Último Samurai", Benedict Wong do bom "Coisas Belas e Sujas" e Rose Byrne de "Tróia". Para dar um up na produção, convocou a sempre bela e competente Michelle Yeoh de "O Tigre e o Dragão" e o hollywoodiano Chris Evans, o mais fraquinho de todos, de "O Quarteto Fantástico".
Soma-se a isso as ótimas influências cinematográficas de "2001" de Kubrick, "Solaris" de Tarkovisky e um pouquinho de "O Enigma do Horizonte", de Paul W. S. Anderson.
Pronto, temos, então, um ótimo filme de ficção existencialista.
Não esperem assistir a cenas dantescas de adrenalina e comoção. Mas as cenas dantescas existem na extraordinária fotografia do filme. O minimalismo do filme é o personagem que impera. Aliás, o protagonista mesmo, não é nenhuma estrela citada aí em cima. O verdadeiro protagonista do filme é o astro-rei Sol que, 50 anos no futuro, está morrendo. A tripulação Ícaro II, então, tem a missão de "reacendê-lo". Porém, na trajetória rumo ao Sol, a Ícaro II se depara com uma interceptação de rádio vinda da Ícaro I, desaparecida há dezesseis anos. O que fazer: continuar com a missão ou mudar a rota para tentar resgatar a tripulação da primeira nave que, com a mesma missão, fracassou e desapareceu há tempos? Improvisar ou manter os planos originais?
Esse é o mote do filme que, se não chega a ser uma obra prima, é sem dúvida um filmão que coloca no chinelo muitas produções milionárias de Hollywood. Assisti-lo é um exercício saudável que tem como receita o bom cinemão somado a competência de um diretor que quer ser lembrado pela ousadia, qualidade e verve pop. Sim porque apesar de tratar-se de uma obra de ficção existencialista, a cultura pop de Danny Boyle está toda lá, plano a plano.
Grande abraço e boa diversão.